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As eleições indianas e o crescimento da influência de Modi

Como as eleições nacionais de 2024 na Índia podem ajudar a entender como a Índia se projeta como influência regional em contraparte à China.

 

As eleições indianas de 2024 iniciaram em 19 de abril, sendo divididas em 7 fases, com cada uma ocorrendo em um conjunto de regiões distintas e sendo finalizadas no dia 1º de junho. A Índia é uma república parlamentarista, semelhante ao Reino Unido, em que os partidos e candidatos são eleitos para a Lok Shaba (em alusão à nossa Câmara dos Deputados, ou câmara baixa), e o partido ou coalização com maior número de assentos conquistados nomeia o Primeiro-Ministro. Os principais partidos são o “Congresso Indiano”, que compõe a coalizão “Aliança Inclusiva para o Desenvolvimento Nacional da Índia” (Indian National Developmental Inclusive Alliance - INDIA), oposição ao atual governo, e o Bhariya Janata (BJP), que compõe a coalizão Aliança Democrática Nacional (National Democratic Alliance – NDA), cujo líder é o atual primeiro-ministro Narendra Modi.


Apesar das alegações da oposição de que Modi busca formas de se perpetuar no poder, apontando para a possibilidade de um terceiro mandato consecutivo, as expectativas para o pleito indiano é de que o BJP consiga uma quantidade de votos consideravelmente alta, o suficiente para manter-se no governo. O Congresso Indiano acusa Modi de utilizar o ultranacionalismo hindu para fomentar desavenças internas, especialmente com a comunidade muçulmana residente na Índia, conforme evidenciado em seus próprios discursos. Essa agenda parece ter engajamento eleitoral, sobretudo diante da preferência dos eleitores pelo atual incumbente e da maioria hindu na população do país asiático, representando um contingente eleitoral potencialmente esmagador a favor de Modi.


Em relação à política externa, Modi vem posicionando a Índia no cenário regional cada vez mais como um contraponto à China. Apesar dos países serem próximos, principalmente em organismos multilaterais, a Índia busca se posicionar na Ásia como uma superpotência econômica, com grande mercado consumidor e atrativo ecossistema para investimentos estrangeiro. A figura de Modi acaba tendo papel central nesse processo, uma vez que, desde que assumiu como primeiro-ministro, a Índia saltou de 11° para 5° maior economia do mundo, com perspectivas de avanço nos próximos anos.


Assim, a Índia busca ampliar a sua influência regional a partir da exportação de insumos e bens, competindo com os chineses. Dado o contexto global, o movimento mais provável é que a China mantenha uma relação próxima com a Índia, principalmente a partir do grupo dos BRICS. Ao mesmo tempo, ao identificar a China como uma superpotência antagônica, Estados Unidos e União Europeia enxergam na Índia um parceiro estratégico na Ásia. Assim, a Índia constrói uma relação próxima a potências ocidentais ao mesmo tempo que equilibra suas relações com China e até mesmo a Rússia sem sofrer de penalizações internacionais. No entanto, um crescimento considerável da economia indiana e possíveis tensões relacionadas à disputa de mercado asiático podem provocar algumas ações por parte do governo chinês, como aumentar a presença militar sudeste asiático a fim de limitar a navegação de embarcações indianas na região, assim aumentando a disputa de poder no leste asiático.



Autores:

Felipe dos Santos Oliveira - Consultor de Política Internacional na BMJ Consultores Associados

Vito Villar - Consultor e Líder de Política Internacional na BMJ Consultores Associados

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